Acordo Mercosul-Israel pode apontar caminhos para a inserção comercial brasileira

Na última sexta-feira (14/10), uma análise sobre os impactos do Tratado de Livre Comércio Mercosul-Israel no Brasil foi apresentada no auditório da Apex-Brasil, em Brasília. O trabalho, que pode ser usado como fonte de pesquisas para várias áreas da Agência, é resultado do curso de MBA de Economia Brasileira para Negócios realizado por Igor Isquierdo Celeste, analista da Gerência de Investimentos da Apex-Brasil.

Para Igor, o acordo funciona como uma experiência única para a análise de como se dará a inserção comercial brasileira em um universo de maior competitividade. Segundo o pesquisador, Israel não é um mercado prioritário, mas se destaca por ser o único acordo de livre comércio entre o Brasil e um país de fora da América Latina, um verdadeiro tubo de ensaio para experiências futuras. Nessa entrevista, concedida ao Blog da Apex-Brasil, ele nos fala sobre o acordo e defende a necessidade mais estudos sobre o tratado. Confira!

Qual a importância do tratado de Livre Comércio Mercosul-Israel? Em primeiro lugar, a maior parte dos acordos bilaterais celebrados pelo Mercosul e, por consequência, pelo Brasil tratam de preferências tarifárias e não de livre comércio, além de estarem concentrados na região da América Latina. O tratado com Israel é um acordo de livre comércio com o parceiro mais distante em termos geográficos.

Em segundo lugar porque trata-se de um tratado abrangente que tem, por parte de Israel, mais de 8 mil produtos com tarifas a serem desgravadas. Grande parte das trocas que o Brasil desenvolve com Israel está coberta, o que mostra a amplitude do acordo.

Em terceiro lugar, Israel e Brasil têm uma grande interdependência comercial. Em 2014, por exemplo, a corrente de comércio entre os dois países atingiu US$ 1,3 bilhão, sendo US$ 410 milhões pelo lado brasileiro e US$ 955 milhões pelo lado israelense.

Em quarto lugar, Israel é majoritariamente especializado em setores intensivos em tecnologia, o que o diferencia do contexto latino-americano.

Nesses seis anos de tratado, como você avalia a evolução do acordo? O tratado resultou em impactos ambíguos sobre os padrões de comércio de Brasil e Israel. Se por um lado houve aumento no valor exportado bilateral por ambos os países, por outro houve queda na interdependência comercial de ambos. Além disso, ainda que a concentração tenha diminuído após o acordo, isso não foi suficiente para uma virtual ampliação da diversidade de bens transacionados. O Brasil perdeu complementaridade com o mercado israelense, ao passo que Israel ganhou complementaridade com o mercado brasileiro. Ademais, houve uma forte caminhada em direção a trocas interindustriais, ao contrário do que as novas teorias de comércio preconizam quando defendem que tende a haver uma intensificação das trocas intra-indústria com a celebração de Acordo de Livre Comércio.

Quais recomendações você faria para o avanço no tema e na promoção comercial para esse mercado? Acho que precisamos aprofunda os estudos de impactos desse acordo. Saber qual o devido peso de cada variável desse tratado e como elas afetam os resultados dos fluxos comerciais. Há uma demanda por trabalhos capazes de indicar em pesquisa direta junto às empresas exportadoras qual foi o real efeito do Tratado em seu cotidiano. Por fim, precisamos de estudos semelhantes sobre o desempenho dos demais membros do Mercosul antes e depois do acordo de livre comércio de Mercosul e Israel.

Quais produtos brasileiros você acredita que tiveram melhor performance no mercado israelense após o acordo e que poderiam ser explorados em ações de promoção comercial da Apex-Brasil? Entre os setores que, com valor exportado em 2014 de no mínimo US$ 1 milhão, tiveram suas exportações recuperadas após o acordo, estão produtos químicos; de extração de minerais não-metálicos; máquinas, aparelhos e materiais elétricos. Entre os setores com intensificação das exportações após o acordo destaco a agricultura, pecuária e serviços relacionados; calçados; farmoquímicos e farmacêuticos. E entre os setores que apresentavam exportações inexpressivas antes do acordo e, após o acordo, passaram a crescer e deter exportações expressivas destaco celulose, papel e produtos de papel.

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