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#BeCreative: ao misturar a cultura japonesa com outras referências, Jana Tahira cava seu espaço no m

A empresária Jana Tahira sempre foi curiosa em relação a suas raízes mestiças. Ela faz parte da quarta geração de uma família de imigrantes no Brasil e sua mãe foi a primeira a casar fora da colônia japonesa – casou-se com um paraibano. Este interesse acabou se transformando em negócio há cerca de dez anos, quando Jana abriu uma loja de produtos que misturam a cultura japonesa com outras culturas, em São Paulo. De lá para cá, deu nova vida aos quimonos que sua mãe fazia e, hoje, começa a colocar suas peças no mundo. Em março, a empreendedora participou do festival de criatividade South by Southwest (SXSW), em Austin (EUA) e mostrou um pouco da inovação, diversidade e sustentabilidade presentes em seus produtos e processos, envolvendo conceitos das culturas brasileira e japonesa. Acompanhe aqui essa história, que é recheada também muita determinação e criatividade.


– Como começou a sua história de empreendendorismo?

Eu me formei em Design e em Publicidade e trabalhei por 15 anos com Comunicação, em diversos veículos, como Vogue e Folha de São Paulo. Meu projeto de formatura na faculdade foi um trabalho sobre estamparia e padronagens orientais com intervenções ocidentais. No entanto, deixei isso parado até 2007, quando resolvi abrir um negócio próprio. Nessa época, percebi que havia uma oportunidade no mercado de São Paulo: a cidade tem muitos descendentes de japoneses e amantes da cultura japonesa e só havia o bairro da Liberdade como referência de compras de artigos orientais. Mas ali não se encontram produtos mais sofisticados e de design, nem formas de uso que se incorporem ao estilo de vida ocidental. Foi aí que abri a Japonique, na Vila Madalena, e comecei a importar alguns produtos mais específicos e oferecer informação sobre eles. Decidi investir também em produtos próprios que expressassem mais adequadamente o conceito mestiço da marca. Como minha mãe desde 1995 tinha confecção de quimonos e outras peças do vestuário oriental, resolvi dar novo significado ao conhecimento de família, criando algumas inovações para peças tradicionais.

– Foi aí que você resolveu tirar o projeto da faculdade do papel e fazer quimonos?

Na verdade, demorou um pouco mais: há cerca de dois anos comecei a notar que estava se desenvolvendo essa tendência de uso de quimonos na moda, rompendo com a forma de uso tradicional da peça no Japão. O quimono tem várias vantagens, como a de ser uma peça de tamanho único que veste a maioria das pessoas, confortável e versátil. Percebendo isso, comecei a redesenhar minha marca, com foco nos quimonos e posteriormente, nos hakamas, uma espécie de calça usada pelos samurais. Desde o início, sabia que meu mercado não seria só o nacional e então participei e fui vencedora do concurso Brazilians to Be (BtoBe), iniciativa do programa TexBrasil (parceria Abit e Apex-Brasil). Como parte da premiação, recebi consultoria para acelerar meu processo de internacionalização. Em outubro do ano passado, participei da feira Tranoi em Paris e consegui distribuição na Europa. Também vi que meu produto tem boa aceitação em países como Escandinávia, Bélgica e Alemanha. Hoje, temos condições de exportar até mesmo para o Japão.

– Qual o diferencial que seu produto oferece ao mercado?

Trabalhamos com o HAFU – que é um conceito vindo da palavra japonesa utilizada para definir quem é metade japonês e metade de outra etnia. Ou seja, trazemos para o nosso quimono referências de outras culturas, principalmente a brasileira, e fazemos um produto que pode ser utilizado de várias formas e sem gênero. Utilizamos poucas modelagens e uma grande variedade de tecidos, dando ainda mais versatilidade para a peça, que se adapta a vários estilos.

Muito importante também é o conceito de Motainai, que pode ser traduzido como não-desperdício, de ordem material, emocional e até espiritual. Quando você corta um quimono, você usa praticamente todo o tecido. Também trabalhamos muito com upcycling, buscando sobra de tecidos de outras peças que são reusados em nossos produtos. Apoiamos amplamente o uso do tecido Oricla, desenvolvido pela Comas, feito a partir de ourelas, laterais de tecido descartada pela indústria têxtil.

– Qual é o público que a Japonique busca?

Acredito que nossa consumidora é uma pessoa que valoriza o consumo consciente, o bem-estar e também a arte. Quer se conhecer melhor, ter estilo próprio, mas também conhecer o outro, novas culturas e incentivar processos e empresas que se preocupam em fazer do mundo um lugar mais digno e criativo. Respeita as diferenças, o espaço, o tempo, as mudanças e a essência das coisas. Ainda estou tentando entender melhor quem é esta consumidora no exterior, mas pelo que já percebi ela compartilha desta filosofia de vida com a brasileira.

– Para você, qual foi a importância de estar em um evento como o SXSW?

Os Estados Unidos são um país importante para mim, acredito que temos muitas oportunidades, principalmente na costa Oeste. A Califórnia, por exemplo, tem a segunda maior colônia japonesa fora do Japão. No SXSW tivemos o acompanhamento de uma mentora, que está nos ajudando muito no trabalho de validar as peças, os preços e o perfil dos clientes. Também foi uma oportunidade para buscar distribuidores e lojas multimarcas menores, que teriam interesse em trabalhar com meu produto.

Conheça mais sobre a campanha Be Brasil em www.bebrasil.com.br/pt

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