#BeDetermined: A Forno de Minas e o pão de queijo mineiro que conquistou o Brasil e o mundo

Existem empresas que necessitam de alto investimento ou de uma grande ideia para se firmarem no mercado. Outras se desenvolvem naturalmente, simplesmente ocupando um nicho que ninguém havia percebido. Para essas, foco e determinação são imprescindíveis para alcançar níveis de altíssimo desempenho. Foi o caso da Forno de Minas, empresa que ilustra um dos atributos da campanha Be Brasil: o #bedeterminated.

O início da Forno de Minas começa com a história de Maria Dalva Couto Mendonça, nascida em João Pinheiro, Minas Gerais. Como a maioria das garotas da sua cidade, pensava que o conceito de felicidade era casar, ter filhos e formar uma família, como suas avós e suas mães. Mas Dalva fez diferente. E, em 1990, começou a trilhar outro caminho: optou por fazer pães de queijo para vender e fundou sua própria empresa – a Forno de Minas.

Nos anos 90, Hélida e Hélder, filhos de Dalva, demostravam interesse em abrir um negócio. Para tanto, investiram todos os recursos obtidos com a venda de linhas telefônicas na primeira loja de produção e venda de pães de queijo de dona Dalva, como era conhecida entre os fregueses. O negócio tinha como inspiração a vivência das famílias mineiras, habituadas ao café no início e no meio da tarde, acompanhado desses pãezinhos feitos à base de polvilho.

Os ingredientes do pão de queijo eram trazidos, diariamente, da fazenda pelo marido. Testando maneiras de conservar e manter frescos os pães de queijo, Dalva congelou, pela primeira vez, a massa do produto. A empresária descobriu que, mesmo depois de congelados, os pães mantinham-se frescos, como se fossem preparados na hora, e podiam ser congelados por muitos meses.

Os amigos dos filhos e outras visitas gostavam de frequentar o apartamento deles, em Belo Horizonte, para comer os pães de queijo que a família oferecia nos lanches. O local virou ponto de encontro, de estudos, de reuniões, etc. A família queria um nome que remetesse à memória afetiva, surgiu então o nome Forno de Minas, que remota ao passado na fazenda Três Barras, no noroeste de Minas Gerais.

Os freezers eram pouco comuns nos comércios daquele tempo. Para resolver essa questão, os três sócios decidiram disponibilizar as máquinas refrigeradas aos varejistas para congelamento do petisco. “Comprávamos os equipamentos, mandávamos trocar a porta original por outra de vidro e pintávamos a marca da empresa na porta. Assim, a gente distribuía não apenas os produtos, mas a gôndola para a exposição”, destaca o sócio.

A COMERCIALIZAÇÃO

Outro desafio da família Mendonça foi convencer o público a comprar o produto congelado, para assar depois. Os mineiros costumam fazer pães de queijo de forma simples, no dia a dia. Não estavam habituados a comprar a massa congelada. Outros desafios eram apresentar aos consumidores o diferencial dos pães de queijo de receita tradicional de dona Dalva e divulgar os pontos de venda onde o produto seria comercializado. O sucesso nessa missão exigia empenho e cuidados.

Helder ficou incumbido de conversar com potenciais revendedores: pequenos mercados locais, de variados tipos de comércio. Alguns logo aceitaram testar a comercialização do produto. Nascia, dessa forma, uma elementar rede de revendas no varejo dos pães de queijo da Forno de Minas. O armazenamento do alimento era outra preocupação da família Mendonça.

DA LOJA À FÁBRICA

No início, a produção era feita em um lugar de 40m² com apenas duas pessoas trabalhando, uma no manuseio da massa, e outra, no armazenamento do produto. Um freezer, um forno médio, alguns tabuleiros e um utilitário pequeno complementavam a ação de fazer e vender os pães de queijo da família Mendonça. No primeiro ano, a produção oscilava entre 60 e 80 quilos de pães de queijo por dia. Os sócios perceberam que havia espaço para crescer e ocupar novos espaços no mercado, na época, interno. A decisão era que o lucro fosse reinvestido na empresa. Aos poucos, os processos foram sendo modernizados, e a rede de fornecedores, expandida.

No segundo ano, a produção foi ampliada. Alugaram um galpão na região metropolitana da capital mineira, que serviu de base para aumentar a produtividade da firma, prospectar novos acordos comerciais e minimizar os custos operacionais. Passados alguns anos, a família Mendonça comprou um terreno de 24 mil m² na região metropolitana de BH e construíram no local uma moderna fábrica de pães de queijo, a Forno de Minas, inaugurada em 1995. A marca já estava consolidada no mercado e aparecia na prateleira de vários hiper e supermercados de renome. A marca ficou conhecida nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. A produção fabril passou de 5 mil para 6 mil quilos por dia, o que significava 1,6 mil toneladas de pão de queijo por mês.

A Forno de Minas precisou de um aporte financeiro para mecanizar a produção na nova fábrica. Os sócios modernizaram o sistema de refrigeração e compraram novos misturadores para fazer a massa, com isso, aumentaram a capacidade de produção da fábrica. Com o mercado ainda sem concorrentes, a Forno de Minas crescia a taxas exponenciais. Em quatro anos, a produção chegou a 1,2 mil quilos/dia. O ineditismo do negócio no país forçava a adaptação dos materiais utilizados na fabricação. “Não havia, no Brasil, máquinas e equipamentos adequados para a fabricação de pão de queijo”, lembra Hélder. Os sócios passaram a frequentar as feiras de maquinário para panificação e, com auxílio de um torneiro mecânico, montaram uma oficina para adequar partes e peças dos aparelhos fabris.

Um dos segredos da receita é utilizar 20% de queijo na massa. Os queijos artesanais usados na fabricação não tinham o selo de Inspeção Federal (SIF), e a empresa sofreu uma interpelação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que a autuou. Precisavam de outros fornecedores da matéria prima. A família teve então a ideia de procurar ajuda técnica. Foi daí que surgiu a parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), que desenvolveu um queijo pasteurizado de excelente qualidade, atendendo às especificações da Anvisa e às expectativas da receita de Dalva. A fábrica de laticínios da família passou a produzir o queijo utilizado na empresa. Além disso, virou fornecedor de outras corporações de alimentos que usavam queijo no preparo de seus pratos.

INTERNACIONALIZAÇÃO

A empresa fez sua primeira exportação para os Estados Unidos e para a Itália em 1998. Hoje, a Forno de Minas atende outros mercados, como Canadá, Portugal, Inglaterra, Chile e Uruguai. Hélder destaca o papel que a Apex-Brasil vem exercendo no desenvolvimento da marca Forno de Minas no exterior, na promoção de nosso pão de queijo no mundo inteiro e no relacionamento com seus clientes.

“Isso vem acontecendo por meio de ações comerciais, como missões e feiras internacionais, ações de relacionamento com clientes como, por exemplo, a da Copa do Mundo FIFA de 2014, em que convidamos compradores internacionais para assistir a jogos e as ações de promoção de produto e de marca, promovidas pela Apex-Brasil, das quais a Forno de Minas vem participando”, diz o sócio. “O apoio que recebemos dos escritórios da Apex-Brasil nos países e, em especial, do escritório de Miami, é que nos dá suporte na subsidiária que temos nos Estados Unidos”, reforça.

Dalva conta que nos últimos anos as exportações da empresa cresceram 30% ao ano, e a sua meta é crescer ainda mais, com foco no mercado norte-americano, onde há grande margem de expansão. A empresa pretende ainda desenvolver novos negócios, ingressando em países como Peru e Colômbia.

Texto originalmente publicado em 8 de abril de 2015.

Saiba mais sobre a campanha Be Brasil em www.bebrasil.com.br/pt

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