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#BeInnovative: empresa de games chama atenção por transformar atividades sérias em divertidas

A Mito Games é uma empresa de desenvolvimento de jogos que soma apenas um ano de existência. Apesar da pouca idade, já está fazendo muito barulho por onde passa. É que ela se notabilizou por um caminho ainda novo no Brasil, mas cada vez mais comum nas empresas estrangeiras: os jogos sérios. O termo se refere às aplicações de softwares que seguem os princípios do design e a dinâmica dos jogos interativos.

A ideia é transmitir ao usuário um conteúdo educacional ou de treinamento com o espírito e a lógica dos videogames. É como aprender e crescer brincando. Foi pensando assim que a empresa criou o Enem Games, um aplicativo no qual vários jogadores se desafiam simultaneamente por meio de computadores, tablets ou celulares. O jogo possui uma série de ferramentas para que a atividade de resolução de exercícios de testes e provas torne-se mais divertida.

O aplicativo rendeu à empresa capixaba a participação na última rodada do Inovativa, o maior programa de aceleração do país, de onde saíram com o primeiro lugar na categoria Educação e Acessibilidade.

E para não dizer que a empresa é fechada apenas com o digital, a Mito Games participou do Design Export, parceria entre a Apex-Brasil e o Centro Brasil Design (CBD), que apoia empresas brasileiras no desenvolvimento de inovações, e de lá saiu com o jogo Fut Tab, um jogo de tabuleiro que surgiu da observação de tendência em países como o Canadá e Estados Unidos.

Por ter a criatividade em seus produtos e a inovação em seu DNA, a Mito Games é um exemplo que ilustra bem a campanha Be Brasil. A narrativa mostra um Brasil confiável, estratégico e sustentável no mundo dos negócios. Por essas e outras o Blog da Apex-Brasil conversou com o sócio diretor da Mito Games, Rafael Lontra, que nos falou sobre o cenário das empresas de games no Brasil, a gameficação dos softwares e as perspectivas dos produtos nacionais no exterior. Confira!

Como começou Mito Games e qual a motivação da empresa? Resposta fácil. A Mito Games começou em julho de 2016 e nossa motivação é democratizar o ensino por meio de jogos educativos e aumentar o interesse dos jovens pelo estudo.

Vocês são novos no mercado, mas já dá para perceber alguma mudança nesse setor? Cada dia existem mais soluções de todas as áreas, como competidores internacionais de olho no mercado. Mas duas coisas não mudam: a necessidade de ter o produto adequado ao público-alvo e ser dinâmico para entender as mudanças nas preferências e necessidades deles.

Qual a análise que você faz hoje do mercado de games no Brasil? A cada dia existem mais empresas de jogos, pessoas interessadas em aprender a desenvolver games e, mais importante, empresas de áreas diversas entendendo o potencial dos jogos como ferramenta para treinamentos simulações e outras finalidades "sérias". Todas essas linhas devem caminhar em conjunto para que as empresas daqui possam crescer e competir também no mercado do entretenimento global que é muito competitivo e caro!

Os jogos sérios são tendência. Qual a importância desse produto para as empresas de games? Os jogos "sérios" já são realidade em muitos mercados e muitas vezes possibilitam às empresas de jogos existirem e se custearem para projetos de jogos convencionais. Os jogos convencionais têm um custo de desenvolvimento ainda muito alto e não há muito investimento nessa área, até por ser muito difícil prever o futuro de um título.

Como tem sido o desempenho da Mito Games no mercado brasileiro? Hoje temos mais de 100 mil jogadores no Brasil, cadastrados em mais de 5 mil instituições de ensino diferentes. Como disse, são anos de investimento até uma empresa começar a ter um retorno e, para isso, temos que desenvolver outros projetos em paralelo para custear a empresa. Estamos com parcerias sólidas e em ascensão, porém ainda não temos um faturamento relevante em termos de mercado.

O Brasil é o quarto maior consumidor de jogos do mundo. Porque não somos também um grande produtor de jogos? Esse quarto lugar em consumo se refere somente aos jogos de entretenimento. Nos jogos sérios, nosso consumo interno é pífio perto de países muito menores. Então tem muita área para crescer. O perigo é esse mercado ser completamente dominado por competidores de fora antes que a indústria local amadureça. Em todas minhas missões ao exterior para estudar o cenário de jogos e avaliar a possibilidade de avançarmos no mercado externo, ouvi de vários empresários que não havia sentido em sair do Brasil, pois todos eles estavam mais interessados em ter parceiros e crescer aqui!

Depois do surgimento dos smartphone e tablets, houve uma corrida para produzir aplicativos e jogos para os dispositivos móveis. Esse ainda é o alvo principal das empresas de games? Os dispositivos móveis têm um alcance inédito na história da humanidade. Nenhuma outra invenção foi tão rapidamente difundida. Em 10 anos, desde o lançamento do iPhone, temos praticamente 5 bilhões de aparelhos celulares no mundo! No nosso caso, iniciamos com o Enem Game voltado para PCs de desktop pela facilidade de estudar e jogar ao mesmo tempo, porém, muito rapidamente, entendemos que nosso público alvo precisa de um aplicativo para baixar em telefones e tablets.

Recentemente surgiu a expressão “gameficação”, que é a inserção da dinâmica de jogos em conteúdos diversos. Você acha que esse é o caminho de empresas como a Mito Games, que já faz uso desses recursos? Sim! Isso está diretamente ligado ao mercado de games sérios que mencionei anteriormente. Mas vale esclarecer que a gameficação de um processo não necessariamente envolve a criação de um jogo, e sim utilizar elementos que engajam pessoas em jogos dentro da lógica de processos de uma empresa, por exemplo mostrando um gráfico de performance do time em determinadas áreas que a empresa quer evoluir, e assim pontuar e engajar os funcionários em treinamentos de carreira. Esse processo abre possibilidades que podem aumentar muito a competitividade e a produtividade da empresa "gameficada".

Sempre que se fala na indústria de games se fala em exportação. Essa é a natureza dessa indústria? Quais as perspectivas no mercado externo? Na verdade, um aplicativo ou jogo já nasce global. Quando publicamos na loja da Google ou Apple, por exemplo, escolhemos para quais países queremos distribuir. No caso do ENEM GAME, por ser totalmente em português, nós escolhemos o Brasil para evitar experiências ruins e consequentes avaliações negativas de pessoas de outros países. Temos alguns usuários em Portugal e em outros países de língua portuguesa, mas também pretendemos lançar uma versão similar para os Estados Unidos, voltada para os exames de aptidão de lá como o SAT e STB.

Vocês participaram do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), da Apex-Brasil. Como você avalia essa experiência? Foi extremamente importante para entendermos como atuar com parceiros de fora e nos preparar para vender e aproveitar melhor as relações que já temos.

Vocês também participaram do projeto Design Export. O que resultou dessa experiência? Foi muito produtivo! Agora estamos terminando a versão final do nosso jogo Fut Tab, um jogo físico de estratégia com o tema de futebol desenvolvido no projeto. Estamos muito satisfeitos com o resultado. Agora, com o protótipo pronto, poderemos produzir o jogo para o Brasil, Alemanha e EUA! O match com a agência que nos atendeu foi muito bom e só tivemos experiências boas com eles.

Que conselho você daria para um empresário que está começando a investir na área de games pensando em exportação? Teste muito os protótipos e mecânicas principais dos seus jogos antes de investirem em desenvolvimento de conteúdo. O mais importante é a experiência e engajamento dos jogadores, então muitos testes podem ser feitos preliminarmente com custos baixos que vão te ajudar a saber para onde seguir ou quando abandonar um projeto que não tem aderência. Informe-se das capacitações em empreendedorismo, pois muitas vezes o grupo que decide criar uma empresa de jogos não tem alguém com experiência em gestão, e isso pode matar uma empresa promissora. Escolha bem os seus sócios e colaboradores. Como ainda não temos uma tradição nesse mercado, pessoas com experiência são raras e caras. É necessário muito tato, paciência e persistência para moldar uma boa equipe e começar a produzir com consistência e eficiência.

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