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Elaine Marcial: “Se você não desenvolve competência, vai produzir qualquer coisa, menos inteligência

Na semana passada, técnicos da gerência de Estratégia de Mercado da Apex-Brasil acompanharam a palestra de Elaine Marcial, doutora em Ciência da Informação. Ela é especialista na área de inteligência comercial e falou sobre a produção de inteligência estratégica nas organizações.

O encontro refletiu o espírito da convergência entre a Gerência Estratégica de Mercado da Apex-Brasil (GEM) e a Divisão de Inteligência Comercial do Itamaraty (DIC), que tornam cada vez mais eficiente o atendimento do setor empresarial brasileiro.

O Blog da Apex-Brasil aproveitou a visita e trocou uma palavrinha com Elaine, que explicou a origem da inteligência comercial, a importância e aplicação dessa técnica nas corporações e empresas e deu sua opinião sobre as estratégias montadas pela Apex-Brasil e Itamaraty para incrementar suas produções de inteligência. Confira!

O que é inteligência comercial ou competitiva?

Esse termo “inteligência” diz respeito, em resumo, à produção de informação estratégica para a tomada de decisões. Ele tem o objetivo de aumentar ou manter a competitividade das organizações.

Esse termo foi cunhado na II Guerra. É uma técnica relativamente recente, certo?

A produção de inteligência como atividade científica é recente. Mas há quem diga que é a segunda profissão mais antiga do mundo. Se você olha sobre a ótica da necessidade de se obter informação como parte de um processo decisório, verá que essa prática é antiga. Tanto é que a primeira referência nesse sentido aparece no livro A Arte da Guerra, escrito por Sun Tzu, um tratado militar escrito durante século IV antes de cristo.

A origem é de cunho militar, então?

A inteligência como conhecemos surge na área militar, em um ambiente em que o processo de decisão tem uma importância muito grande. Essa visão acaba passando para o Estado e é utilizada no campo da segurança nacional. Só depois da Segunda Guerra Mundial é que ela entra para as organizações, principalmente a partir da década de 70, quando havia com uma grande necessidade de reinvenção das empresas.


Qual a importância da inteligência comercial nos dias de hoje?

Fundamental. Vivemos em uma sociedade que é movida pela informação e pelo conhecimento. Nessa sociedade há forças que geram incertezas ou hiperinformações vindas de fenômenos novos como a conectividade, a convergência, a interatividade e a velocidade. É cada vez mais difícil antecipar acontecimentos em ambientes turbulentos. Daí a necessidade de dominar as técnicas de inteligência.

Quais os benefícios imediatos de uma empresa que adota técnica de Inteligência?

O principal é ter a informação certa, na hora certa para auxiliar o processo de decisão. Se você tem boas decisões, significa que você terá melhores resultados, alcançará seus objetivos, reduzirá seus riscos e custos e aumentará seu lucro. Certamente alcançará novos mercados, colocação de novos produtos, etc.

No caso das exportações, a inteligência passa ser fundamental.

Sim! A Apex -Brasil mesmo faz um trabalho de inteligência conhecido na prospecção de mercados. Mas existe um elemento novo agora que chama a atenção, que é a parceria com o Itamaraty. Essa união aumentou o alcance da rede de coleta de dados e a condição de se produzir inteligência. Isso deve ser revertido em bons resultados futuros.

Como o Brasil se coloca no mundo quando o assunto é inteligência de mercado?

Posso dizer que hoje a maior parte das grandes empresas brasileiras têm uma área de inteligência. Mas temos uma formação de profissionais ainda muito insipiente. Hoje, praticamente não encontramos cursos no país. Se você não desenvolve competência, vai produzir qualquer coisa, menos inteligência.

É caro ter uma área ou um profissional de inteligência?

Para uma boa área de inteligência você precisa de recursos para capacitar seu profissional, que muitas vezes tem que sair do país por falta de cursos no Brasil. Existem ainda custos de prospecção ou compra de estudos específicos. É um erro achar que você vai encontrar tudo na Internet.

É possível ter áreas de inteligência em pequenas e médias empresas?

Um departamento eu acho complicado. Uma pequena empresa não vai ter recurso para manter um grupo de pessoas só para produzir informação para ela. Mas é possível trabalhar com a mentalidade da inteligência ou mesmo trabalho em conjunto. Na França, é muito comum você ter um órgão que produza a informação para compartilhá-la com as pequenas e médias empresas. A Apex-Brasil e o Sebrae já têm uma tradição de distribuição de estudos.

E quais são as competências que um profissional de internet deve ter?

Tem que ser uma pessoa curiosa. Uma pessoa acomodada não produz inteligência. Ele tem que saber fazer boas perguntas e levantar questões relevantes. Essa curiosidade é chave no perfil desse profissional. Ele tem que ter a capacidade de obter as informações e interpretar o que está acontecendo ao seu redor. O ideal é que você tenha uma equipe com formações multidisciplinares para que você consiga olhar para determinado fenômeno enxergando suas diversas facetas.

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