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Pesquisa da CNI aponta os principais desafios para a competitividade das exportações brasileiras

Na última terça-feira (6/12), a Apex-Brasil recebeu a visita de Felipe Carvalho, analista de políticas de indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Felipe apresentou aos técnicos da Agência os dados da pesquisa “Desafios à Competitividade das Exportações Brasileiras 2016”, realizada pela CNI em parceria com a Fundação Getúlio Vargas.

O estudo mensura o nível de criticidade dos obstáculos que afetam a competitividade das exportações brasileiras. Lançada em agosto de 2016, a pesquisa contou com a participação de 847 empresas exportadoras de todos os portes e tamanhos.

O Blog da Apex-Brasil aproveitou a presença de Felipe na sede da Agência para falar sobre os problemas identificados pela pesquisa e entender melhor como a competitividade influencia nos resultados das exportações brasileiras.

Qual a importância de um estudo como esse realizado pela CNI?

Essa pesquisa é um diagnóstico completo dos problemas que os empresários brasileiros enfrentam para conseguir exportar. O trabalho nos dá subsídios para que possamos defender os interesses do exportador. Com ele, conseguimos entender os problemas que os empresários têm da porta da empresa para fora e também mapear as dificuldades que elas têm internamente. O objetivo é conseguirmos dar apoio com serviços e orientações relacionadas à internacionalização e tronar a empresa mais competitiva no mercado internacional.

O Brasil contribui com apenas 1,2% das exportações mundiais. Quanto a falta de competitividade das empresas tem a ver com isso?

Tem tudo a ver. A ausência de competitividade, afetada por problemas externos e internos da empresa, impacta diretamente nesse número. A pesquisa mostra que as empresas têm dificuldades em oferecer um preço competitivo. É um reflexo do custo Brasil. Elas não conseguem acessar mercados por conta da carga tributária e das nossas dificuldades logísticas. Não por acaso, nós temos milhões de empresas no país e apenas 20 mil são exportadoras.

Quais os principais problemas que a pesquisas identifica como entraves de competitividade?

Encontramos quatro grandes problemas. Primeiro, os altos custos de transporte no Brasil. Temos uma baixa infraestrutura de logística. Em segundo lugar, temos questões associadas às tarifas, encargos e taxas, que são cobradas por portos, aeroportos e órgão anuentes. Em terceiro lugar, tem as questões das burocracias alfandegária e aduaneira, que são muito complexas e exaustivas para quem quer exportar. Finalmente, tem a legislação brasileira de comércio exterior, que é dispersa em vários documentos, além de ter muitos dispositivos e instruções. Isso dificulta o domínio da legislação por parte do empresário.

A pesquisa trouxe algum dado que você considera positivo?

O que percebemos é que, nas edições anteriores da pesquisa, o câmbio e a burocracia sempre apareciam nas primeiras colocações dos entraves para exportação. Como as empresas responderam às questões entre dezembro e janeiro, quando o câmbio estava favorável aos exportadores, registramos uma queda acentuada nessa questão. A burocracia, que sempre estava em um patamar muito elevado, apresentou uma colocação um pouco mais baixa que nas pesquisas anteriores. Isso foi fruto de algumas ações que o governo tomou, como o de facilitação do comércio com a implementação do Portal Único de Comércio Exterior.

E quais são os fatores relacionados diretamente às empresas que impactam na baixa competitividade brasileira?

Percebemos que as empresas brasileiras têm baixa disponibilidade de capital para a exportação. Um dado que a pesquisa trouxe é que 70% das empresas não utilizam financiamento para as exportações. Isso se dá, por incrível que pareça, porque há um total desconhecimento das linhas de financiamento e de crédito existentes no mercado. Também existe uma questão que é a falta de uma cultura exportadora. Esse problema estamos conseguindo solucionar por meio do trabalho desenvolvido pela Apex-Brasil e pela Rede Brasileira dos Centros internacionais de Negócios, coordenado pela CNI.

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